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"Este é o momento"

Terça-feira, 24.05.11

 

Nota prévia de esclarecimento: entretanto, passados 2 anos, actualizei a minha perspectiva sobre este momento e a cultura de base do CDS:

 

 

Este é o momento é o mote certo para a fase colectiva que vivemos, entalados entre dois precipícios, como nos desenhos animados. Não podemos voltar atrás, seria o suicídio, e o caminho para a frente é tão estreitinho e traiçoeiro que não nos podemos enganar na colocação dos pés. Qualquer pedregulho solto pode fazer-nos resvalar encosta abaixo... E há tantos pedregulhos soltos... 

 

" Portugal está numa situação excepcional. Uma política irresponsável levou a dívida pública de 82 mil ME para 170 mil ME apenas em seis anos. Os contribuintes já pagaram mais pela dívida do Estado do que investem com os seus impostos, na Educação. A irresponsabilidade prosseguiu nas empresas públicas (cuja dívida duplicou) e nas Parcerias Público-Privadas cujo o custo já ascende a 60 mil ME e compromete o futuro. Este Governo socialista levou Portugal à segunda recessão em dois anos. A herança económica e financeira de José Sócrates é muito negativa.

Mais de 650 mil famílias são afectadas pelo desemprego, enquanto inúmeras PME têm dificuldade em contratar. Em cada 100 jovens, 25 não têm trabalho. Muitos emigraram. Os trabalhadores independentes e os jovens empreendedores são atacados fiscalmente. A pobreza aumentou, a classe média empobreceu. Até o abono de família foi cortado. As instituições sociais recebem todos os dias mais pedidos de ajuda, de quem não consegue pagar refeições, ou os tratamentos de saúde, ou está numa situação vulnerável. O legado social de José Sócrates é de uma enorme injustiça.

Depois de um ano em que o PS, com o apoio do PSD, foi de PEC em PEC até ao colapso final – aumentando impostos, congelando pensões, penalizando as famílias, pondo em risco os serviços de saúde - tornou-se inevitável que Portugal pedisse ajuda externa, para poder sobreviver. O CDS teve uma atitude de responsabilidade, colocando o interesse nacional acima de tudo. Sem essa ajuda Portugal passaria pela vergonha de declarar falência. As poupanças, os salários, as reformas, os depósitos e os empréstimos dos portugueses corriam risco de ruína. Nesta situação, outros decidiram não falar com quem nos podia emprestar dinheiro para sobreviver. O CDS foi responsável: falou e defendeu, por exemplo, as pensões mínimas, rurais e sociais que poderão ser aumentadas. Deixámos claro que, na revisão do programa de austeridade, lutaremos por melhores soluções. Por exemplo, quanto a um IRS que leve em conta o número de filhos; um IRC que ajude as empresas que exportam, contratam e reinvestem; a taxa social única; e repensar medidas no IMI e IMT que são incoerentes. Há alternativas. "

A natureza que de certo modo condicionou a nossa cultura e nos tornou vulneráveis à cultura corporativa vigente inclina-nos perigosamente para um dos lados do precipício: é o fascínio por tudo o que brilha, por tudo o que nos é apresentado como fabuloso, fantástico, a terra prometida, todas as possibilidades e mais algumas de realizar todos os seus sonhos, tipo o vendedor do elixir da juventude que vemos nos filmes. É incrível como adultos responsáveis, com família, filhos, netos, se deixam ainda levar pela publicidade enganosa em vez de colocar os pés bem assentes no chão: no trabalho digno e sério, o maior valor que alguém pode ter nesta vida terrena, desenvolver e aperfeiçoar as suas competências, ser valorizado por isso e por isso poder realizar alguns dos seus sonhos legítimos e acessíveis. É também esse o caminho da autonomia, outro valor essencial da dignidade humana, não depender da bondade de estranhos nem sentir-se um inútil, dependente de subsídios numa vida decadente. A energia vital baseia-se na acção e na iniciativa própria, em tomar a sua vida nas suas próprias mãos, em decidir o que é importante para si e para a sua família. Toda a natureza apela à autonomia pessoal, isso é estar vivo. Alguma coisa de muito errado levou os cidadãos a deixar-se condicionar por uma cultura que promove a dependência, o conformismo e a servidão, tudo o que nega a própria vida e a dignidade de cada um. Este é o momento de corrigir essa perigosa inclinação e caminhar de novo em terra firme, com os pés bem assentes no chão.

 

" Os Portugueses conhecem a coerência, o trabalho e a equipa do CDS. Temos os deputados mais trabalhadores do Parlamento. Avisámos a tempo para o descalabro. Não dependemos do Estado, como PS e PSD dependem. Lutamos pelo bem comum e não defendemos os caciques, como PS e PSD defendem. Queremos grupos económicos mas não aceitamos, como PS e PSD aceitam, a protecção de certas empresas por uma Autoridade de Concorrência incompetente. Nunca abandonámos, como PS e PSD abandonaram, a questão social: os idosos e a sua pobreza são a nossa prioridade, as famílias no desemprego a nossa preocupação. Somos o Partido em quem confiam os agricultores: queremos Portugal a produzir, exportar e substituir importações. Somos o Partido que defendeu políticas de bom senso: quem comete crimes tem de pagar por eles e as Forças de Segurança têm de ser eficientes e ter autoridade: contam connosco. Protegemos a autoridade do professor na escola e a exigência e o mérito como regra para preparar os estudantes para o mundo laboral. Temos soluções para o desemprego dos jovens, o arrendamento de casa pelos jovens, a liberdade de programar as suas poupanças para os jovens que entram no mercado do trabalho. Sabemos que é possível um sistema de saúde com menos desperdício e mais humanidade. "

Esta é a minha escolha eleitoral, como já a delineei aqui há uns tempos. Voto CDS-PP. Nunca me inscrevi em partido algum, até hoje. Sempre procurei decidir de forma autónoma, em todas as minhas escolhas. Muitas vezes me enganei, mas a razão foi invariavelmente não ter acesso à informação que conta. Hoje só me baseio em factos concretos, em resultados concretos. A posição do independente, como sempre me quis posicionar na vida e na política, pode parecer confortável e comodista, e de certo modo é: não ter de viver o conflito com o grupo, dizer o que se pensa de algumas decisões com que não concordamos, não ter de debater, argumentar, sofrer decepções várias que as há sempre. Embora também não se possa viver a alegria do dever cumprido e a alegria partilhada no grupo que é alegria redobrada. Nem saborear as vantagens de um estatuto para quem gosta da vida política. No meu caso, a motivação seria a possibilidade de contribuir com ideias para acções concretas. Sim, se vier a tomar essa inciativa inédita no meu percurso será essa a motivação. É que este é o momento de não nos fecharmos no nosso cantinho sossegado e tranquilo e participar na vida colectiva, na reconstrução de uma casa em ruínas, na recuperação do jardim abandonado, na regeneração da vida comum, na restauração da nossa cultura própria, dos valores que nos estruturaram até hoje: o trabalho individual e comunitário, o respeito por si próprio e o respeito mútuo, a amabilidade e a universalidade. 

 

" Nesta situação excepcional, pedimos aos Portugueses que façam um voto excepcional. Não liguem aos emblemas nem às siglas. Avaliem o trabalho, o esforço, a coerência, a visão, as soluções, as equipas e os líderes. Comparem. Portugal não mudará se não castigarem quem merece castigo – o PS – ou se premiarem quem não merece um prémio – o PSD.

Há muitos eleitores desiludidos com o PS e receosos com o PSD. Esses eleitores sabem que o CDS, nesta eleição excepcional, é a diferença, é a responsabilidade, é o melhor para o interesse nacional. Não vos peço que adiram a tudo o que o CDS pensa, nem o CDS vos imporá isso. Peço-vos que ajudem Portugal a pagar o que deve, sanear as finanças, colocar a economia a crescer, evitar a exclusão social e, finalmente, pôr ordem na justiça que chegou a um descalabro! Escolham o CDS. Nós cumpriremos. 

Este é o momento. Por ti. Por todos. Portugal. "

Clarificação deste post a 2 de Outubro de 2015: Tantos posts para clarificar... Como é possível que eu tenha confiado no CDS durante tanto tempo?, que não tenha percebido a sua cultura de base que não é nem democrata nem cristã?

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:36


2 comentários

De MRG PPP a 10.08.2011 às 14:13

As PPP 's são benéficas tanto para o Estado como para as construtoras, o que há a saber é a clareza dos negócios, se realmente são honestos ou não. Vejam o exemplo da MRG PPP http://www.mrg.pt/noticias/2010/3/mrg_da_conhecer_experiencia_ppp/

De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 10.08.2011 às 16:22

Ex.mos Senhores
Agradeço o comentário. Espreitei o vosso site que irei visitar atentamente com mais disponibilidade.
Ainda não domino a informação sobre o assunto para me poder posicionar relativamente ao assunto das PPP. Ate ao momento e independentemente da questão da transparência dos negócios, o que percebi é que se tratou de "atirar as despesas para a frente", para quem vier a pagar a conta, que são sempre e invariavelmente os contribuintes. Terei percebido bem? Não sei. Por isso, terei de me informar melhor.
Cumprimentos
Ana Fernandes

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